COMO A MÚSICA VAI SOAR EM 2026?
Escrito por Alek Rose
O mundo da música está em constante movimento. Seja sob a influência de novas tecnologias ou de artistas e cenas inovadoras, sua evolução contínua é o que nos mantém tão fascinados e conectados. Ballantine’s acompanha esse movimento, sempre atenta ao que vem pela frente. De palcos secretos em festivais ao apoio a gêneros emergentes e iniciativas por meio de True Music Fund, 2026 será mais um ano impulsionando a cena e criando momentos memoráveis. Aqui está o que acreditamos que irá moldar a música nos próximos 12 meses.
Embora muita coisa vá mudar, alguns movimentos ganharam tanta força em 2025 que não vemos sinais de desaceleração. A música latina, por exemplo, segue em ascensão rumo ao novo ano. Com nomes como Bad Bunny dominando tanto os charts de streaming quanto as conversas culturais, o cenário está pronto para um impacto cultural liderado pelos grandes nomes, mas acompanhado por uma nova geração de artistas menos conhecidos, como Akriila e RaiNao. Mas, enquanto o ano passado foi marcado por sonoridades ultra limpas e digitais, especialmente através do hyperpop, acreditamos em uma mudança de direção. Assim como aconteceu recentemente na moda, o desejo crescente de rejeitar a modernidade pode trazer os holofotes de volta para estilos retrô, como synthwave dos anos 80 ou soul.
Como consequência natural, veremos o surgimento de gêneros híbridos. À medida que redes sociais e sistemas de recomendação algorítmica eliminam barreiras entre ouvintes e subculturas, a tendência é que a música combine estilos de forma cada vez mais fluida. Já vimos isso acontecer com o crescimento do country, do rave e de outros gêneros invadindo o pop mainstream nos últimos anos. Com isso, novos subgêneros e microcenas devem surgir, criando um terreno fértil para culturas de nicho prosperarem.
Tudo isso favorece o crescimento das cenas DIY (“faça você mesmo”). Quanto maior o acesso às comunidades underground, maior o crescimento dessas próprias comunidades. Cenas DIY prosperam quando a experimentação é normalizada, e o ambiente híbrido de 2026 funciona quase como uma permissão para ousar mais, algo que a história já mostrou ser essencial para grandes movimentos musicais. Curiosamente, isso não deve acontecer principalmente online. Embora a descoberta de comunidades e a comunicação aconteçam na internet, acreditamos que a ação real se concentrará em polos locais mais específicos, cidades profundamente conectadas a subgêneros próprios. Pense na cena grunge de Seattle nos anos 90 ou no grime de London, mas em escala ainda mais segmentada. Some a isso o aumento do custo de vida nas grandes metrópoles e temos a receita perfeita para o surgimento de novos polos musicais fora dos tradicionais London, New York City, Seoul ou Berlin. Essas cenas já são há muito tempo foco de Ballantine’s True Music Fund, que oferece apoio financeiro e mentoria especializada para iniciativas e plataformas que impulsionam essa transformação.
Como esperado, a tecnologia terá papel central em 2026. Mas acreditamos que sua presença será sentida tanto quanto sua ausência. Pensando nesses novos polos musicais ao redor do mundo, ferramentas de IA oferecem oportunidades antes inacessíveis para regiões menos desenvolvidas. Agora, bandas jovens conseguem compor faixas inteiras rapidamente, testar diferentes sonoridades com poucos cliques, experimentar efeitos, mixar e masterizar músicas em alto nível sem precisar de estúdios caros ou expertise técnica avançada. Em contrapartida, 2025 também trouxe um desejo crescente por sons mais crus, humanos e imperfeitos, liderado por bandas como Geese, cuja sonoridade caótica conquistou o público. Esperamos que esse movimento ganhe ainda mais força em 2026. A tendência de grandes apresentações ao vivo no último ano ajudou a consolidar essa busca por autenticidade emocional, como contraponto ao acabamento excessivamente polido das produções profissionais.
True Music
Uma plataforma de música global que dedicou os últimos 10 anos trazendo de volta conexões reais e humanas entre fãs e artistas.
Essa fome por autenticidade também se estende à descoberta musical. A tecnologia domina esse território há anos, de forma cada vez mais precisa. Mas em 2026, tudo tende a ficar mais humano. Curadores independentes nas redes sociais, newsletters em plataformas como Substack, servidores no Discord e livestreams devem substituir parte da lógica atual de descoberta de novos sons.
Quando falamos de música ao vivo, a experiência humana continua reinando absoluta. No próximo ano, tocar apenas os hits já não será suficiente. A popularização de experiências em VR, interações em tempo real durante shows transmitidos e ambientes imersivos com LEDs apontam para o futuro dos concertos. A participação será o elemento central, com fãs esperando ser membros ativos de comunidades, e não apenas ouvintes passivos.
Esse movimento será especialmente forte na vida noturna e nos festivais, onde veremos um foco ainda maior em participação e experiências imersivas. Principalmente nos festivais de vários dias, o público busca universos completos que incluam desde gastronomia até exercícios, mindfulness, criatividade e, claro, música. Fique atento a experiências exclusivas como bares secretos e áreas backstage: normalmente, os sinais de Ballantine’s denunciam onde elas estão. Depois de estruturas secretas em festivais ao redor do mundo no último ano, 2026 promete eventos ainda mais memoráveis da marca.
Nos clubes e festivais, a descoberta musical ocupará o centro do palco. Em linha com a tendência de afastamento dos algoritmos de recomendação, eventos presenciais irão atender à vontade do público por descoberta, abrindo espaço para artistas emergentes em line-ups de grande porte. Acima de tudo, o próximo ano terá segurança e inclusão como prioridades na vida noturna. De espaços LGBTQIA+ a festas voltadas para comunidades imigrantes e da diáspora, além de eventos acessíveis para pessoas com deficiência, haverá um lugar acolhedor para que todos possam se perder nos sons e vibrações de 2026.
Portanto, embora os próximos 12 meses tragam uma grande evolução na forma como usamos tecnologia no universo musical, acreditamos também que isso provocará um forte movimento de reação, especialmente no underground. Sons mais crus, humanos e caminhos menos digitais para descobrir música devem dominar a cena. Então encontre sua comunidade de nicho e prepare-se para viver algumas das experiências musicais mais imersivas da sua vida.
Alek Rose é um escritor freelancer baseado em Brighton. Ex-editor da Highsnobiety e da SSENSE, seu trabalho é centrado em moda, mas se estende a diversos aspectos da subcultura contemporânea.