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“Não pense, só dance”:

A rapper brasileira Tássia Reis fala sobre música, do que ela gosta na cena musical do Brasil e por que o samba é o próximo item da sua lista.

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Em apenas alguns minutos, Tássia Reis deixa você confortável e à vontade. Seu sorriso tímido, que mais tarde descobrimos ter origem enquanto ela cursava o ensino superior, revela uma simpatia que irradia calor como um raio de sol sul-americano pela chamada do Zoom. Jovem confiante que já comprovou muitas vezes sua capacidade criativa e ainda tem muito a dizer, ela também tem acesso a plataformas para se expressar como uma das vocalistas e MCs mais ouvidas do Brasil. Além disso, tem uma marca de roupas.

Um mês antes da sua apresentação, em dezembro de 2020, no Boiler Room x Ballantine’s True Music In The Round em São Paulo, ela lançou o single Inspira, Try em um planeta que precisava desesperadamente descontrair. Traindo a diversidade de sons que faz parte do seu trabalho, essa tônica em particular veio como uma batida de R&B noturna e exótica, combinando, com muita habilidade, os fluxos rápidos do Rap em português com um som tranquilo, sensual e indiscutivelmente intoxicante.

Com uma cadência enérgica e sofisticada com descidas ousadas, mas contínuas, explorar seu repertório anterior aumenta ainda mais esse escopo, seja no Pop urbano com toques de Bossa Nova do LP Próspera, de 2019, ou tocando uma sirene hipnótica com os versos de Rashid no Hip Hop sul-americano com ritmo de Jazz e Smoked-Out, Vício. Dez anos depois de se mudar para São Paulo como estudante universitária, ela saiu da maior cidade do Brasil para voltar à cidade natal, Jacareí, como heroína local. Ela começa contando como iniciou a carreira.

“Tem duas coisas que eu costumava fazer, a primeira era dançar Samba. Você conhece o carnaval? Minha família sempre gostou de carnaval, então comecei ali. Depois fui para outros tipos de dança e cheguei até a cultura Hip Hop e as Danças Urbanas. Ao mesmo tempo, continuo envolvida com o carnaval. Na verdade, meu passado é uma mistura dessas coisas, e eu faço isso desde os 14 anos”, conta a artista de 31 anos, com um nível de entusiasmo na voz que faz jus a um país conhecido por ter a cultura da dança no sangue.

“As raízes estão na diáspora africana. Como a dança e a música são tão importantes na cultura africana, acho que o Brasil tem muito dessa cultura nos rituais e nas festas, tem muita dança. É algo religioso, mas também é só um jeito de se expressar e de se divertir”, ela responde quando perguntamos sua opinião sobre o significado da dança na vida dos brasileiros.

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“É muito especial movimentar o corpo, porque somos feitos de energia, e podemos colocar essa energia em algo especial para o mundo. Eu nunca tinha pensado em como é importante, mas, quando pensamos no carnaval, ele faz parte da nossa ancestralidade e nossa identidade. A gente não pensa, só dança.”

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Mudar da narrativa filosófica para a direta não é novidade para Reis, como mostram suas letras (mesmo quando passam por uma tradução do inglês). Embora ela costume falar sobre a situação atual, talvez o mais impressionante seja sua capacidade de abordar temas mais abstratos, muitas vezes, tão abrangentes quanto comoventes. As ideias de amor-próprio geralmente aparecem lado a lado com a necessidade de atingir todo o potencial para mudar os padrões e comportamentos para melhor. É um tipo de discurso direto de apoio emocionalmente inteligente que diz muito sobre atitude.

“Minha música é sobre a vida, sobre meus sentimentos, como eu vejo o mundo, a sociedade e minha família. Sobre todos os meus sentimentos. Coloco isso na minha melodia e nas minhas músicas, e quero passar uma mensagem otimista. Mas também preciso ser realista. Tivemos momentos ruins no mundo, principalmente no Brasil. Por isso, sou otimista, mas preciso ser realista, e minhas músicas são diretas”, explica ela.

“Comecei escrevendo poesia. Quando eu estava na escola, adorava pegar meus livros e ir para um lugar silencioso para escrever. Eu era tímida e consegui me expressar quando comecei a escrever. Minha poesia se transformou em música quando me dei conta: ‘Meu Deus, posso fazer música’”, afirmou Reis, enfatizando que isso só aconteceu mais tarde. “Alguma coisa mudou quando fui para São Paulo. Eu fazia Design de Moda, mas, enquanto estudava, comecei a compor, e me graduei na carreira musical.”

Aproximadamente uma década depois do seu single Meu RapJazz gerar polêmica on-line, Reis se tornou um modelo a ser seguido na cultura popular brasileira. Um exemplo de representatividade que ela considera há muito esperado. “Eu via Beyoncé e outros artistas dançarem, por isso, para mim, é importante contar uma história sobre liberdade. Na época, a gente não via jovens negros na TV no Brasil. Eu acho que entrei para a cultura do Hip Hop, e ela entrou em mim, porque eu me identificava com outros jovens do mundo, não só da América, também com artistas africanos.”

“Mas sou uma mulher brasileira e minha inspiração também vem de outros lugares. É difícil separar as coisas, cresci com elas dentro de mim”, ela continua contando antes de perguntarmos se a situação mudou em termos de representatividade e oportunidades de exposição no Brasil. “Ainda existe um problema, mas agora temos a internet. Isso fez algumas coisas acontecerem, como minha carreira, por exemplo.”

“Nós lutamos contra o racismo na TV, na cultura, em todo lugar. Lutamos a favor da representatividade. Isso está mudando, porque as marcas estão percebendo que precisamos ver uns aos outros, e isso precisa acontecer agora”, comentou Reis, sugerindo que, embora os avanços sejam evidentes, os motivos por trás deles podem não ser puramente humanitários.

“Não acredito que pensem: ‘Meu Deus, precisamos fazer isso pelas pessoas’. É uma questão de dinheiro. Mas as coisas estão mudando, devagarinho, e estão mudando porque o público está pedindo. É muito importante que isso continue”, disse ela. Nossa conversa avança para falar sobre sua experiência como jovem artista, mulher e negra, que controla a própria carreira. “Não é fácil, mas sou determinada. Estou lutando, e meu agente também está lutando comigo. Acho que é possível mudar o mundo.”

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Os objetivos de Reis para 2021 apenas reforçam a ideia de que o otimismo e a perseverança são características fundamentais da sua personalidade. “Tenho meus planos. Mas um álbum, sim. Na verdade, pretendo lançar dois álbuns este ano e, depois, um livro que comecei a escrever, mas não sei quando vou terminar. É sobre a história da minha família. Descobri muitas histórias interessantes que eu não sabia.”

“Meu agente está enlouquecendo”, ela responde com uma risada quando perguntamos sobre lançar dois álbuns  e escrever um livro em mais um ano bastante instável para a música e a vida. “Quero fazer um novo álbum com Rap, músicas de R&B e algumas músicas brasileiras. Mas realmente acho que, antes do final do ano, vai ter um álbum de Samba também. Talvez um pequeno. Eu quero muito e nunca fiz, mas dessa vez percebi que o Samba foi minha primeira inspiração. Então, talvez eu possa mesmo começar a fazer isso.”

É um desafio que combina com ela, já que Reis volta às suas origens e, obviamente, é improvável que ela apenas revisite os clássicos. Como tudo o mais, ela dedica coração, alma, corpo e mente para criar o novo trabalho. Neste caso, são composições inspiradas em um dos patrimônios culturais mais importantes do Brasil que, aliás, também tem um significado pessoal relevante para ela.

“Eu compus alguns Sambas, e tem músicas que são clássicos e quero gravar também. Meu pai sempre me dizia: ‘Você precisa fazer Samba’. Seria como responder: ‘Sim, pai, eu consigo fazer isso’. É muito emocionante e autêntico na minha vida”, ela conta quando a chamada chega ao fim. É uma declaração final que poderia facilmente ser aplicada a quase tudo o que Reis faz.

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Experiência totalmente nova no True Music, “In The Round” é uma série de eventos transmitidos ao vivo, com distanciamento social, que leva a música ao vivo de volta à vida das pessoas e on-line.

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